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19/08/2024

Brasil entra na era de multisafras com carbono

O Potencial da Agricultura Sustentável no Brasil Através de Recursos Naturais e Gestão Humana

A habilidade de integrar fatores climáticos favoráveis, solos ricos, expertise técnica, eficácia na gestão e o engajamento de comunidades locais destaca o Brasil como um líder em potencial na agricultura sustentável. Essa sinergia não apenas potencializa a produção agrícola, mas também abre portas para o Brasil se estabelecer como um exemplo global de práticas agrícolas que respeitam o meio ambiente e promovem a sustentabilidade. Aproveitando suas vantagens naturais e humanas, o país pode liderar iniciativas que maximizam a produtividade ao mesmo tempo em que minimizam os impactos ambientais, garantindo não apenas o sucesso econômico, mas também a preservação de recursos para gerações futuras. Este contexto transforma a agricultura sustentável em uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento, a inovação e a cooperação internacional.

O Brasil, já reconhecido por sua proeminência no cenário agrícola e pecuário, está à beira de capitalizar uma nova e promissora fronteira: a produção de créditos de carbono.

Com sua capacidade já comprovada de gerir duas a três safras anuais de grãos de forma eficaz, o país agora explora a potencial ‘quarta safra’ de créditos de carbono, que promete revolucionar tanto sua economia agrícola quanto seus esforços de sustentabilidade. Ao aproveitar os recursos naturais únicos e a experiência acumulada em práticas agrícolas sustentáveis, o Brasil está se posicionando para liderar globalmente no mercado de créditos de carbono, um passo que não apenas fortalece sua liderança agrícola, mas também contribui significativamente para a luta global contra as mudanças climáticas.

Imagem produzida com Inteligência Artificial. Fonte: Adobe Firefly

O Potencial do Crédito de Carbono como Moeda Internacional na Transição para uma Bioeconomia Sustentável

O crédito de carbono está sendo reconhecido como a nova moeda internacional capaz de financiar a transformação de uma economia baseada em energia e materiais fósseis para uma bioeconomia sustentável. A Europa já estabeleceu seu procedimento abrangendo transições nas exportações e importações, enquanto os Estados Unidos estão estruturando seu próprio mercado de carbono, regulamentando-o de maneira distinta para adequar-se às necessidades locais e globais.

No entanto, o Brasil e a América Latina ainda estão em fase de definição de suas legislações sobre o mercado de crédito de carbono, tornando-se crucial entender os princípios que regulamentarão esses mercados e as transações possíveis entre os países. É importante diferenciar os mercados regulados dos voluntários, considerando as peculiaridades das economias tropicais. Estas não apenas compensam emissões de carbono, mas também contribuem ativamente para a redução da temperatura global, uma variável que precisa ser incluída nas negociações climáticas, especificamente no Anexo 6.

Os ecossistemas terrestres, especialmente o solo, desempenham um papel crucial no ciclo do carbono. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o solo é o maior reservatório de carbono, armazenando mais carbono que a biomassa vegetal e a atmosfera combinadas. A implementação de práticas agrícolas que promovam o sequestro de carbono pode significativamente aumentar a capacidade das terras agrícolas de absorver carbono, com potencial para sequestrar até 570 milhões de toneladas métricas anualmente.

Imagem produzida com Inteligência Artificial. Fonte: Adobe Firefly

Além disso, os trópicos oferecem uma oportunidade única devido ao seu poder fotossintético, que é três vezes maior que nas regiões temperadas. Esta capacidade pode ser explorada mais intensamente, utilizando florestas plantadas e incentivando práticas agrícolas em pastos degradados para aumentar a absorção de temperatura. Tais iniciativas colocam os países tropicais em uma posição privilegiada para contribuir de maneira significativa para a agenda global de redução da temperatura.

O Brasil, ao assumir posições de liderança no G20, BRICS e na COP30, tem uma oportunidade de ouro para apresentar e debater suas propostas e visões sobre o papel vital dos trópicos na regulação climática global. Este engajamento não só realça o papel do Brasil no cenário internacional, mas também destaca a contribuição potencial de toda a região tropical em enfrentar os desafios climáticos mundiais.

Assista o vídeo abaixo e saiba mais sobre a G7 EcoCarbon: