Estudo ‘Financiando uma Bioeconomia Global Sustentável’ foi lançado dia 12 em evento no Jardim Botânico, no Rio
A bioeconomia é um elemento central na transição para uma economia de baixo carbono e tem o potencial de movimentar até US$ 30 trilhões por ano até 2050. Essa foi uma das principais conclusões do relatório “Financiando uma Bioeconomia Global Sustentável”, lançado na última quinta-feira, dia 12, durante um evento paralelo às reuniões sobre desenvolvimento sustentável do G20. O encontro, que reuniu as maiores economias do mundo no Rio de Janeiro, destacou a importância da bioeconomia como peça-chave na estratégia global de descarbonização.
A Importância da Bioeconomia para o Clima e a Economia Global
O economista britânico Simon Zadek, co-CEO da organização sem fins lucrativos NatureFinance e coautor do relatório, enfatizou que a bioeconomia tende a se tornar hegemônica à medida que mais países buscam mitigar os impactos das mudanças climáticas. Ele destacou que “novos produtos da bioeconomia, como biocombustíveis, são cruciais”, pois têm menores emissões de carbono e são capazes de melhorar a resiliência climática. Isso torna a bioeconomia uma solução poderosa, já que atende simultaneamente às necessidades econômicas e ambientais.
Citando dados do Fórum Mundial de Bioeconomia, o relatório revela que a bioeconomia já movimenta entre US$ 4 e US$ 5 trilhões anualmente, e seu crescimento está sendo impulsionado por preocupações relacionadas ao clima, meio ambiente e saúde. No entanto, Zadek ressalta que a criação de regras internacionais de contabilidade para o capital natural será fundamental para que a bioeconomia se torne verdadeiramente global. Ele afirma que “o impacto não pago da produção global de alimentos é maior do que seu valor total, estimando-se entre US$ 8 trilhões e US$ 10 trilhões em externalidades negativas, o que mostra a necessidade urgente de ajustes.”
Iniciativa Brasileira no Cenário Global da Bioeconomia
A aprovação dos Princípios de Alto Nível sobre Bioeconomia, documento publicado após a quarta reunião da Iniciativa do G20 sobre Bioeconomia (GIB), marca um passo importante no desenvolvimento da bioeconomia global. Zadek comparou essa ação com a iniciativa chinesa de nove anos atrás, que introduziu o conceito de finanças verdes ao G20, o que gerou um impacto significativo no crescimento das finanças sustentáveis ao redor do mundo.
Segundo o economista, “o que o Brasil fez este ano ao trazer a bioeconomia para o centro das políticas públicas será um divisor de águas”. Isso pode desencadear uma explosão de novas políticas, investimentos e negócios focados em bioeconomia, especialmente em um momento em que o Brasil lidera o G20. O relatório, elaborado em parceria com o Fórum Mundial de Bioeconomia, foi projetado para apoiar a GIB e posicionar o Brasil como um dos principais atores na promoção de uma bioeconomia sustentável.
Evento lançou relatório que apoiou discussões da Iniciativa do G20 de Bioeconomia — Foto: Lucas Teixeira/Divulgação
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Plano Nacional de Bioeconomia: O Futuro Sustentável do Brasil
Em um avanço local, Carina Pimenta, secretária Nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e uma das principais negociadoras brasileiras na GIB, revelou que o governo brasileiro está em fase de elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, que deverá ser apresentado em maio de 2024. Esse plano é um marco para a implementação da Estratégia Nacional de Bioeconomia, decretada em junho de 2023. Ele definirá ações concretas para promover o crescimento sustentável em áreas como o manejo de florestas nativas, restauração de áreas degradadas e a adoção de práticas sustentáveis na agropecuária e biocombustíveis.
De acordo com Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), “as políticas públicas devem ser moldadas para fomentar as diversas áreas da bioeconomia”. Ela destaca três grandes áreas prioritárias: o uso sustentável de recursos naturais das florestas, a restauração de ecossistemas degradados e a introdução de práticas mais sustentáveis na agropecuária e biocombustíveis. Essas ações são fundamentais para garantir que o Brasil aproveite ao máximo seu potencial como líder mundial em bioeconomia.
Fonte da Matéria: Jornal O Globo